HOMENS BRANCOS NÃO SABEM CORRER?
Contra fatos não há argumentos: homens brancos não sabem correr. Ou melhor, até sabem, o problema é que os negros são muito melhores que eles. Até a metade dos anos 80, os europeus dominaram as provas as provas de média e longa distância, com praticamente 50% das vitórias nas mais importantes competições internacionais, contra 26% dos africanos.
Esse cenário mudou completamente nas ultimas décadas. atualmente, Os atletas da África ocupam o primeiro lugar em 85% das principais disputas. Além da constante presença no alto do pódio, outro dado confirma a soberania negra na corrida: todos os recordes de distâncias olímpicas – dos 100 metros á maratona – são de atletas negros ou de origem africana.
Especialistas de várias áreas da ciência e do esporte já tentaram buscar respostas para tamanha superioridade dos negros. Afinal, os brancos não desaprenderam a correr ou perderam velocidade nos últimos tempos. O professor do curso de especialização em fisiologia do exercício e treinamento desportivo da Unifesp, Rodrigo Luiz Vancini, explica que a performance esportiva depende de uma combinação de fatores fisiológicos, psicológicos, biomecânicos, genéticos, de treinamento e táticos.
Baixos, magros, com uma biomecânica perfeita e capaz de percorrer longas distâncias com maior economia de oxigênio.
É inegável que os africanos possuem uma genética favorável para a corrida. Mas comparados com corredores de elite de outros continentes, somente isso não explica tamanha superioridade.
Pesquisas revelam que os quenianos possuem um alto VO2 máx (79,9 ml/kg/min), número bem próximo ao dos escandinavos (79,2 ml/kg/min) e dos norte-americanos (80 ml/kg/min).
Além disso, o percentual de fibras de contração lenta – mais requisitadas em provas de fundo e diretamente ligadas ao consumo de oxigênio – entre os africanos e os europeus nórdicos é bem similar. A questão é que todo atleta de elite tem DNA de esportista.
O segredo dos corredores negros pode estar em fatores geográficos e culturais. As crianças do Quênia não tem acesso a brinquedos e jogos eletrônicos e são muito ativas. Elas chegam a correr até 20 km por dia – descalças e com mochilas nas costas – para estudar. Por isso, desde cedo desenvolvem força, coordenação e resistência aeróbia necessária para uma corrida.
Por viverem em altitudes elevadas, os quenianos possuem o sangue mais grosso, o coração mais forte e as fibras musculares menores, que facilitam a penetração do oxigênio e melhoram a economia da corrida, fazendo com que percorram grandes distâncias cansando-se menos.
Fonte: texto retirado da revista O2 edição 098 jun/2011 por César Candido dos Santos
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